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Capacidade interpretativa infantil precária e suas consequências nas bases da formação da identidade.

  • 30 de mar.
  • 3 min de leitura

Atualizado: 2 de abr.


A criança que fomos no passado, diante da sua precariedade natural de recursos interpretativos, compreendeu o que acontecia com ela de forma muitas vezes equivocada.


Quando crianças somos egocentrados, ou seja, acreditamos que somos a causa de tudo que acontece conosco e ao nosso redor, tanto o bom quanto o ruim. A criança se considera responsável por tudo o que vivencia, inclusive pelas ações e reações de todos.


Esse autocentramento leva a criança a uma compreensão equivocada de si mesma e do outro e, por decorrência, a 'condenar' partes da sua expressão autêntica, por considerá-las responsáveis pelos acontecimentos e sentimentos frustrantes que experimenta, já que as causas do seu sofrimento parecem ter origem nela mesma.


E, para se proteger, ela vai se desconectando dessas partes de sua expressão autêntica, substituindo-as por outras formas de expressão consideradas mais adequadas para garantir seu pertencimento, na esperança de se sentir amada. Aos poucos a personagem que deve substitui-la vai sendo criada. E, com o passar do tempo, desconectada da expressão de partes importantes da sua essência, a criança se

identifica com a personagem que criou.


Além disso, a criança acredita que seus responsáveis são infalíveis, invencíveis, perfeitos, superpoderosos, em função da sua própria precariedade e dependência absoluta de seus cuidadores.


O autocentramento infantil somado à idealização de seus cuidadores, levam a criança a acreditar que se eles não lhe dão o que precisa, da forma que ela espera receber, é porque não querem dar. E se não querem dar é porque não gostam dela o suficiente. E se não gostam é porque ela não tem valor suficiente para ser amada por eles.


O problema é que essa interpretação equivocada infantil sobre si mesma e sobre o outro vai nortear as escolhas das próximas ações da criança, na tentativa de obter do outro o que precisa - validação e afeto.

A criança não tem ainda condições de perceber que os pais também são precários emocionalmente, também sofreram faltas e restrições, também foram filhos de pais precários. Ela não tem como ler nas entrelinhas que o amor estava presente na forma possível aos seus cuidadores.


Se ela não recebe do jeito que precisa e não consegue reconhecer a presença do amor na forma recebida, isso a faz se sentir carente de algo que está ali, mas de forma invisível para ela.


À essa carência vai se somar a auto culpabilização, o que resultará numa auto desvalorização nociva à construção saudável da auto imagem e da autoestima, bases da autoconfiança necessária para a autonomia na vida adulta.


A boa noticia é que ao chegarmos à vida adulta temos a chance de perceber que estamos

limitados, regidos por crenças equivocadas e esse incômodo pode nos levar ao trabalho com a nossa Criança Interior para podermos ajudá-Ia a desfazer seus equívocos interpretativos, oferecendo a ela outros ângulos de visão sobre as razões das faltas vivenciadas para que ela possa compreender as precariedades de seus cuidadores não mais como desamor, mas como precariedades que afetaram a sua expressão amorosa.


Nós precisamos cuidar da nossa Criança Interior para recuperar a nossa espontaneidade, a

nossa criatividade e para oferecer um pouco mais de liberdade ao adulto que somos hoje.

Assim, as nossas chances de abraçar a nossa grandeza e fazer escolhas mais livres do medo,

mais amorosas e confiantes, certamente irão aumentar consideravelmente.

 
 
 

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